8º dia de peregrinação na Via Francigena

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Via Francigena – De Orio Litta à Fiorenzuola D’arda (04/05/2015)

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Arrumando as coisas.

Acordamos às 07:00 horas da manhã, tomamos um breve café com algumas fatias de pizza que haviam sobrado do dia anterior, e preparamos a nossa bagagem para mais um dia de descoberta. Com o céu nublado, o clima não poderia ser melhor. No dia anterior, quando recebemos a visita do prefeito da cidade, o Sr. Cappeletti, ele nos informou por onde deveríamos seguir viagem, indo no sentido sul, pela Via Roma, acompanhando a ciclovia que acompanha o curso dos rios Lambro e Pó. Na parte de trás do albergue, havia uma grande rosa dos ventos gravada no chão e o ponto cardeal sul apontava em direção à Roma, a qual distava uns 600 km de lá. Seguindo o seu conselho, seguimos viagem por aquele caminho. Inicialmente, tínhamos a convicção que seria necessário atravessar o rio Pó por um transporte aquaviário, mas a medida que prosseguíamos, logo percebemos que seguindo pela rodovia SS9, a via Emília, não havia necessidade deste tipo de transporte. A paisagem deste região é bastante uniforme, composta principalmente plantações rasteiras, plantio de árvores de reflorestamento e pequenas fazendas. De acordo com nossas observações, é possível concluir que o povo desta cidade vive relativamente bem, sem maiores problemas inerentes aos grandes complexos urbanos e cidades de maior porte, onde as desigualdades sociais são mais evidentes.

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Em frente ao albergue de Orio Litta.

Aquela pequena e estreita rodagem não favorecia o tráfego frenético de veículos, como costumeiramente enfrentamos em alguns dias anteriores. Ela servia ao transporte de pequenos veículos e tratores dos agricultores que moravam nas proximidades. Esta rodovia tinha uma característica bem peculiar, a sua elevação em relação às terras cultivadas ao seu redor. Em alguns trechos, era possível perceber uma elevação de uns três ou quatro metros acima do nível das terras cultivadas no seu entorno. Mais adiante, uma pequena parada no vilarejo de Guzzafame se fez necessária, devido ao esvaziamento dos nossos cantis. Esperávamos encontrar um pequeno comércio local aberto para comprarmos água, mas não encontramos. Nosso passeio naquele vilarejo se limitou até a frente da paroquia local, que fica na via principal. Descontentes pelo fato de não termos encontrado nada, aproveitamos para entrar na igreja e verificar a possibilidade de pegar mais um carimbo em nossas credenciais, mas não havia ninguém e muito menos uma carimbeira e carimbo para que pudéssemos carimbar as nossas credenciais. Mas tudo bem. Voltamos por onde viemos e, ao encontrarmos umas senhoras que conversavam na mesma rua, Fagner tratou de lhes perguntar onde havia um lugar para comprar água. Uma delas lhe falou que havia um ali mesmo na via principal, antes da paróquia, mas como não estava aberto, pois havíamos acabado de passar por lá, ela nos disse que poderíamos encher os nossos cantis e tomar água da fonte situada ao lado da paróquia. Segundo ela, aquela água era potável e era utilizada por todos os moradores de lá para consumo próprio. Agradecemos-lhes e voltamos para fazer o que ela havia nos falado.

Com os corpos hidratados, seguimos adiante, mas a pequena rodagem, que ora mesclava-se em trechos asfálticos, ora em trechos de puro barro e pedregulhos, parecia não ter fim. De fato demorou bastante até chegarmos novamente a SS9, a Via Emília, na altura do km 267, aproximadamente. Como havia uma ciclovia que seguia o curso da Via Emília, decidimos ser mais prudentes e seguir por ela, ao invés de nos aventurarmos naquele trânsito frenético sem necessidade.

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Ponte sobre o Rio Pó.

Não tardou, e logo estávamos cruzando a ponte sobre o Rio Pó e, com isso, deixando mais uma região da belíssima Itália para trás. A título de curiosidade, o rio Pó é considerado o maior rio da Itália, possuindo uma extensão total de 652 km, sendo a sua nascente localizada no Monte Viso, nos Alpes Contianos, e sua foz no Mar Adriático, na proximidade de Veneza. O saudosismo já era evidente em nossos rostos, pois muitas coisas boas haviam ficado para trás, e naquele momento nos restava apenas a lembrança dos bons momentos vividos em outrora. A Lombardia agora cedia espaço à Emília-Romana, e como cidade estreante em nosso percurso por aquela região, Piacenza se fazia imponente e grandiosa bem à nossa frente, literalmente, tendo em vista que ao final daquela ponte, ela se fazia presente. Piacenza foi fundada em 218 a.C., sendo considerada a primeira colônia romana na Itália Setentrional.

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Simpático senhor em Piacenza.

Já era aproximadamente meio dia quando chegamos a Piazza Cavalli, uma importante praça no centro de Piacenza, onde está localizado o Palazzo Comunale, que data do século XIII, mas estávamos meio que sem saber ao certo qual direção tomar naquele momento. Ficamos bastante fascinados com aquela praça e toda a arquitetura dos inúmeros monumentos que a rodeavam, e logo aproveitamos para tirar algumas fotos de lá. Enquanto eu tirava algumas fotos, um senhor bastante simpático se aproximou de Fagner e Elizabeth para conversar um pouco. Por onde passávamos, acabávamos despertando a curiosidade dos outros. Creio que aquele senhor, ao nos ver, deve ter se perguntado: o que faziam três brasileiros de bicicleta por aquelas bandas? Pois para muitos italianos, a Via Francigena sequer é conhecida.

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Almoço revigorante no meio do mato.

Ele nos disse que havia morado por muitos anos na Austrália, em decorrência de seu trabalho, e nos mostrou algumas moedas daquela época, que carinhosamente guardava em sua carteira como recordação de seu passado glorioso. Em Piacenza, pegamos mais um carimbo em nossas credenciais no centro de informações da cidade. Dali, seguimos pela via XX Settembre, onde pudemos comprar alguns mantimentos e nosso almoço num supermercado. Sempre havia uma certa disputa sobre quem deveria ir aos supermercados comprar as coisas. Como éramos três, sempre duas pessoas deveriam ir ao supermercado, enquanto a outra deveria ficar de olho nas bikes. Nos lugares menos movimentados, principalmente cidades pequenas, Elizabeth poderia ficar, e eu e Fagner entrávamos no supermercado. Mas, em cidades maiores, ou onde houvesse um fluxo maior de pessoas, um homem deveria permanecer olhando as bikes. E em Piacenza, o escolhido foi Fagner. Logo, eu e Elizabeth entramos para comprar as coisas, enquanto ele permanecia do lado de fora, de olho nas bikes. Com o nosso almoço garantido, seguimos viagem pela indicação das placas da Via Francigena, passando pelas vias Sant’Antonino e Scalabrini, até chegar à rodovia SS9 (via Emília Parmense). Por volta das 14:00 horas, paramos numa pequena estrada chamada alla Motta Nuova para saborear o almoço, debaixo da sombra da copa de uma árvore. O almoço daquele dia foi considerado o melhor de todos. Realmente, estava muito saboroso.

Com a energia e ânimo revigorados, seguimos adiante visando atingir o nosso objetivo daquele dia, a cidade de Fidenza. No entanto, fomos abatidos mais uma vez. Desta vez, o pneu traseiro da bike de Fagner estourou junto junto com a câmara de ar. O pneu estava bastante velho e um rasgão se abriu em um dos lados dele, ocasionando o estouro da câmara de ar. Andamos cerca de 3 km empurrando as bikes, e na cidade de Pontenure, Fagner comprou um pneu nova na Cicli Rebecchi, situada às margens da rodovia SS9. De lá, seguimos viagem, passando por Ponte Riglio, Cadeo, Roveleto, Fontana Freda, até chegarmos à Fiorenzuola D’arda, onde passamos à noite na Piccola Casa Della Caritá, uma dependência da Parrocchia di San Fiorenzo.

À noite, eu e Elizabeth ainda saímos para comprar algo para comer e ligar para nossos familiares. Neste dia, tudo havia transcorrido da melhor maneira possível, exceto o episódio do pneu, que logo foi contornado. Embora não estivéssemos chegado ao nosso objetivo, a cidade de Fidenza, ainda assim progredimos cerca de 53 km, deixando o nosso ânimo e moral elevados, sendo um dos motivos para isso o fato de termos encontrado mais um albergue de doação.

Neste dia, não efetuamos gravação de vídeo.

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