9º dia de peregrinação na Via Francigena

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Via Francigena – De Fiorenzuola D’arda à Fornovo di Taro (05/05/2015)

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Em frente ao albergue em Fiorenzuola D’arda.

Acordamos às 06:00 horas da manhã, e depois de arrumar tudo, saímos às 08:00 horas. O clima estava fresco e o céu estava nublado, o que favorecia a um ritmo de pedalada mais intenso e constante. Naquele dia, já tínhamos definido que iríamos chegar à Fornovo di Taro. Com pneu furado ou não, estávamos dispostos atingir o nosso objetivo. Seguimos viagem pela mesma rodovia do dia anterior, a SS9, mas depois de um erro de percurso, pegamos uma estrada que nos levou até um pequeno vilarejo chamado Chiaravalle della Colomba. Na verdade, estávamos seguindo as placas da Via Francigena, e também pensamos que o trecho da SS9, onde estávamos passando, iria desembocar numa autoestrada, onde não é permitido o trânsito de bikes. Por isso, fizemos a escolha de ir naquela direção (estrada Busazza), seguindo as placas indicativas da Via Francigena, o que nos levou até Chiaravalle della Colomba.

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Em direção à Chiaravalle della Colomba.

Em Chiaravalle, pegamos mais um carimbo em nossas credenciais e pudemos conhecer um pouco da Abadia de Chiaravalle, construída no século XII. Até este dia, ainda não tínhamos visto nenhum peregrino, seja à pé ou em bicicleta, mas logo um tratou de aparecer. Ele parecia meio perdido, pois circulava de um lado para outro, mas deve ter encontrado a rota correta e seguido adiante. Depois de algum tempo para tirar fotos e conhecer um pouco o local, partimos pela estrada SP54, com direção a Alseno, que está situada às margens da rodovia SS9. Nesta rodovia, o tráfego de ônibus, caminhões e veículos pequenos era intenso e os riscos de acidente se multiplicavam por mil, ainda mais em decorrência da ausência de acostamento, o que nos obrigava a pedalar por cima da linha branca. No entanto, os motoristas eram sempre amistosos e procuravam ser cautelosos quando iam passar por nós.

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Catedral de San Donnino e Duomo de Fidenza.

Neste dia, não conseguimos almoçar e fizemos pequenos lanches com os mantimentos que levávamos. A partir de Alseno, seguindo pela SS9, e logo chegamos à Fidenza, onde nos vislumbramos com a impressionante Catedral de San Donnino e Duomo de Fidenza, que data do século XII. Toda a Catedral, em especial a sua fachada, nos deixou bastante impressionados, devido a quantidade e beleza das esculturas lá dispostas. Naquela fachada, era possível observar desde personagens da Bíblia, até figuras míticas da antiga Grécia, como por exemplo Hércules.

Mais a frente, seguimos pela SP71, passando por Santa Margherita e Osteria del Sole, e depois seguindo pela SP93, e lá acabamos nos perdendo, mas não demorou a encontrarmos o caminho certo. E quando menos esperávamos, um grande companheiro se juntou a nós, ele se chamava Rocky, um pequeno cachorro. Ele teimou em nos seguir pelas ladeiras acima e abaixo. Quando embalávamos nas descidas, ele ficava bem para trás, mas logo nos acompanhava quando pegávamos uma subida. Àquela altura, seguíamos as placas de sinalização da Via Francigena, o que nos ocasionou alguns problemas, pois muitos desses lugares eram impróprios para as bikes, e tínhamos que empurrá-las por trilhas no meio do mato. Passamos pela Hostaria la Torre e seguimos adiante, conforme indicavam aquelas placas. Ainda fizemos uma pequena parada para comer algumas latas de sardinha com pão e algumas maçãs que carregávamos na bolsa. A comida foi divida igualmente para todos, inclusive o Rocky, o líder do bando. Seguindo adiante, esta estrada nos levou até a Via Gabbiano, a qual era pavimentada, e de lá seguimos até certo ponto desta via e solicitamos informações a alguns homens que trabalhavam numa reforma de uma casa sobre como chegar a cidade de Fornovo di Taro. Eles nos orientaram, e logo voltamos pela mesma via até encontrarmos uma pequena placa da Via Francigena sinalizando o caminho correto. Estávamos meio receoso em seguir por aquele caminho, mas mesmo assim o fizemos. Não havia escolha. A partir dali, pegamos uma pequena estrada de terra, que descia pela colina. Aquela descida foi pura emoção e divertimento, um verdadeiro downhill, pois em determinado ponto a estrada acabou e tivemos que seguir pelo meio do mato. Rocky não parava de nos seguir e tínhamos o cuidado para não atropelá-lo. Como um verdadeiro líder do bando, ele procurava ficar sempre a nossa frente, e nesta parte, o mato era alto e ele acabava sumindo de nosso campo visual.

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Rocky ainda nos seguia.

Após aquela descida frenética, chegamos à rodovia SP64. Na altura do número 65 da rodovia SP64, no vilarejo de Cella, acabamos nos despedindo de Rocky, pois em conversa com o morador daquela casa dissemos-lhes que aquele cachorro já nos seguia a algumas horas e que ele possuía um número de telefone gravado em sua coleira. Aquele senhor, ligou para o telefone constante em sua coleira, e depois de informar todo o ocorrido ao seu dono, levou o Rocky para dentro de sua propriedade, pois o seu dono o viria buscar o mais breve. Agradecemos-lhes e seguimos adiante.

Mais adiante, ainda na SP64, o pneu dianteiro da bicicleta de Fagner furou e o trocamos sem maiores problemas ao lado de uma escola abandonada, situada às margens daquela mesma rodovia. A partir dali, passamos por Consorcio Cella, e mais à frente, na rodovia SS357, por Medesano, Divisione Julia-ca’ Rettori, La Cavernala, Felegara, Il Novelino e Ramiola, para finalmente chegarmos ao nosso destino final daquele dia, a cidade de Fornovo di Taro, onde dormimos na Parrocchia Santa Maria Assunta (Piazza IV Novembre). Na verdade, era um prédio pertencente à paróquia, e como tal não havia cobrança obrigatória das estadias, mas sim uma oferta de livre e espontânea vontade por parte dos peregrinos. Ele era grande, tinha uns quatro andares, e possuía vários apartamentos. Mais uma vez, não encontramos sinais de outros peregrinos no albergue. Os demais apartamentos pareciam não estar ocupados, pois não vimos e nem ouvimos pessoa alguma, durante as horas que permanecemos lá. A exceção foi uma sala no térreo que parecia funcionar alguma empresa, pois haviam pessoas que a usavam. No albergue havia sinal de internet wi-fi e a senha estava anotada numa das últimas páginas do caderno de anotações dos peregrinos. Descobrimos por acaso. Após acomodar as nossas bagagens, fomos ao supermercado Simply Market comprar o nosso jantar e mais suprimentos para iniciar o dia seguinte.

Mais um dia terminava e estávamos cada vez mais acostumados ao ritmo do dia a dia. Havíamos percorrido cerca de 59 km e apesar do cansaço momentâneo e de mais um pneu furado, a nossa moral estava bastante alta neste dia. No mais, tudo estava correndo conforme o nosso planejamento.

Confira abaixo os vídeos relacionados a este dia.

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