História da Via Francigena

cartinaVF-E.10A Via Francigena é o nome comum de uma antiga estrada e rota de peregrinação que liga a França à Roma, embora tenha seu ponto de partida muito mais longe, na Catedral de Canterbury, na Inglaterra. A rota passa pela Inglaterra, França, Suíça e Itália. A rota era conhecida na Itália como a Via Francigena ou Via Romea. Na época medieval, foi uma importante estrada e rota de peregrinação para aqueles que pretendiam visitar a Santa Sé e os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo.

A peregrinação à Roma para visitar o túmulo do Apóstolos Pedro e Paulo foi uma das três grandes peregrinações da Idade Média, juntamente com a Terra Santa (Jerusalém) e Santiago de Compostela (Espanha). Por isso, a Itália foi continuamente percorrida por peregrinos de toda a Europa. Muitos paravam em Roma, outros seguiam em direção à península, ao porto de Brindisi, e de lá embarcavam para a Terra Santa.

Na Idade Média, a Via Francigena foi a principal rota de peregrinação à Roma a partir do norte. A rota foi documentada pela primeira vez como o caminho Lombardo, e foi chamada pela primeira vez de viagem francesa (Iter Francorum) por santo Willibald, bispo de Eichstätt, em 725 d.c., no registro de suas viagens. Conhecido como Via Francigena Francisca, na Itália e Borgonha, ou Chemin des Anglois, na França (Reino Franco) e também Chemin Romieux. O nome Via Francigena foi mencionado pela primeira vez no Actum Clusio, um pergaminho de 876 d.c., na Abadia de San Salvatore al Monte Amiata.

 

AOSTA_ROMANo final do século 10, Sigerico, arcebispo de Canterbury, usou a Via Francigena para ir de Canterbury à Roma e voltar, a fim de receber o pálio das mãos do Papa Juan XV. Sigerico descreveu as 79 etapas de regresso de sua rota, anotando-as em um diário, no que mais tarde seria conhecido como o mais antigo diário de viagem. Sigerico percorreu em média 20 km por dia, num total de 1700 km.

Em 1157, Nikolas Bergsson, abade do mosteiro de Þverá, em Thingeyrar, norte da Islândia, publica uma crônica geográfica intitulada Leiðarvísir og borgarskipan. A publicação era basicamente um guia para peregrinos sobre rotas de peregrinação do norte da Europa que levavam à Roma e Jerusalém.

A Via Francigena não é uma única estrada, como uma estrada romana, pavimentada com blocos de pedra. Ela é composta por diversos caminhos possíveis que mudaram ao longo dos séculos, conforme o comércio e a peregrinação aumentavam ou diminuíam. Afinal, todos os caminhos levam à Roma. Dependendo da época do ano, da situação política, e da popularidade relativa dos santuários dos santos situadas ao longo do percurso, os viajantes poderiam ter usado qualquer uma das três ou quatro passagens dos Alpes e dos Apeninos. Outro ponto importante é que, ao contrário das estradas romanas, a Via Francigena não ligava cidades, mas sim Abadias.

Hoje alguns peregrinos ainda seguem os antigos passos de Sigerico, viajando a pé, a cavalo ou de bicicleta na Via Francigena, embora existam muito menos peregrinos neste caminho que no caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Umas das razões para tal, seria a falta de infraestrutura de acolhimento dos peregrinos. Mas isto aos poucos vem mudando, pois até algumas décadas atrás, o interesse na Via Francigena limitava-se a estudiosos. Isso começou a mudar nos últimos anos, quando muitos que, depois de viajar o Caminho de Santiago, na Espanha, queria fazer a peregrinação a Roma a pé também. Na Itália, surgiu uma rede de amantes da Via Francigena, que com tinta e pincel, começaram a marcar suas trilhas e caminhos. Essas pessoas se juntaram a organizações religiosas e ao governo local, na tentativa de recuperar o percurso original. Atualmente a rota segue o seu traçado original, mas às vezes ela se desvia do caminho histórico em favor de caminhos e estradas com pouco tráfego.