11º dia de peregrinação na Via Francigena

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Via Francigena – De Pontremoli à Avenza (07/05/2015)

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Ruas típicas do centro antigo de Pontremoli.

Saímos um pouco tarde de Pontremoli, por volta das 09:00 horas, e não conseguimos carimbar as nossas credenciais lá. Ainda procuramos o Convento Cappuccini para carimbá-las, mas ele estava fechado. Pontremoli é uma cidade pequena, muito bonita, com belos monumentos, igrejas e pontes que remontam a idade média. Os seus primeiros assentamentos remontam ao ano 1000 a.C.. Na idade média, por volta do ano 990 d.C., a cidade cresceu consideravelmente devido ao fato de ser atravessada pela Via Francigena, onde Sigerico a representou como etapa XXXI de seu itinerário entre Roma e Canterbury. Ainda na idade média, Pontremoli ou Pons Tremulus – como era conhecida, devido a presença de uma ponte trêmula ou instável sobre o rio Magra –, muitos a definiam como a “única chave e porta da Toscana”. Algumas de suas ruas, no centro antigo, são bem estreitas, o suficiente para impedir que qualquer veículo circule por lá. Segundo informações da proprietária do B&B Francesca & Cleo (Bed and Breakfast) onde passamos a noite, Srta. Francesca, a sua propriedade, mais precisamente a parte inferior da casa, teve a sua construção iniciada no século XVI.

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Supermercado em Pontremoli.

Como não conseguimos carimbar as nossas credenciais, decidimos seguir adiante. Procuramos um supermercado e achamos o Despar (via Manfredo Giuliani, 5), e lá compramos alguns mantimentos. O curioso e engraçado deste dia, ocorreu dentro do supermercado, pois havia um galo de borracha em cima do balcão de frios. Não sabíamos qual o sentido daquilo, mas logo alguém tratou de esclarecer. Um cliente chegou e apertou levemente o galo que produziu um ligeiro “cocoricó”, em seguida o açougueiro – que estava além de nossas vistas – respondeu de lá: “Un attimo!”. Eu e Fagner que havíamos entrado, não aguentamos a cena e caímos na risada, ainda mais com a figura cômica (o açougueiro) que de lá saiu. Ele era muito engraçado, e suas feições mostravam que ele era gaiato por natureza. Depois que ele voltou à parte interna, ainda apertamos umas duas vezes aquele galo, e ele respondeu como antes, e em poucos segundo lá estava ele bem à nossa frente. Todos riram com aquela situação, inclusive a moça que cortava a nossa mortadela. Na primeira vez, dissemos-lhe que não era nada, mas na última vez, perguntamos-lhes se ali vendia aquele item, o galo. Ele chamou um rapaz, que nos mostrou onde havia. Com isso, decidimos comprar um galinho de borracha para alegra ainda mais a nossa jornada. Inicialmente, eu não sabia onde colocá-lo, mas logo achei um lugar ideal, o guidão da bike. Suas pernas iam presas entre o guidão e a bolsa de guidão. E vez ou outra funcionava como buzina.

Deixamos o supermercado e seguimos caminho pela via Europa. Pelo meio do caminho, o galo teimava em não ficar quieto, e cantou bastante, chamando a atenção dos inúmeros moradores que por ali passavam. As pessoas reagiam das mais variadas formas, umas ficavam sem entender, outras simplesmente riam da situação. Afinal, não é todo dia que vemos um galo sem penas, com aspecto de animal morto, no guidão de uma bicicleta, e ainda por cima cantando. Era no mínimo cômico.

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Parada para pegar um fôlego.

Em seguida, seguimos pela via Europa e depois pela Ponte Alcide de Gaspari, e mais a frente pela rodovia SR62. O dia estava ensolarado, afinal, estávamos na região da Toscana. Quanto ao relevo, estava mais suave em comparação ao dia anterior, sem grandes elevações., mais plano. Neste dia, fizemos apenas duas paradas, uma para um pequeno lanche e outra para o almoço, exceto aquelas de descanso. A primeira delas ocorreu ainda nas proximidades de Pontremoli, na Comune de Filattiera, defronte à Chiesa de Santo Stefano em Sorano, localizada no vale do rio Magra, ao longo da antiga Via Francigena. Esta pequena igreja data do século XI, no entanto, durante a reforma do telhado, foram descobertas duas estátuas de pedra com características Célticas, e que data do século VII a.C.. Esta igreja é toda construída em pedra, as quais foram retiradas ao longo do curso do rio Magra.

Em Filattiera há um longo histórico de ocupação humana, que tem início na idade do ferro, e mantendo-se ao longo dos períodos Romamo, Bizantino, Medieval, Moderno até os atuais dias. Assim como as inúmeras outras cidades por onde a Via Francigena passava, em Filattiera, dada a sua importância para o caminho, foi construído, na idade média, o Hospital de San Giacomo di Altopascio, que prestava atendimento aos peregrinos durante as suas peregrinações até Roma.

Ao lado da Igreja de Santo Stefano há uma posto de informações turísticas onde pudemos coletar mais um carimbo em nossas credenciais. Partimos de lá, seguindo pela SR62 com direção ao nosso destino final daquele dia, a cidade de Avenza. Esta rodovia é uma estrada boa, o único problema era o acostamento quase que inexistente. Mas mesmo assim os motoristas nos respeitavam. Algumas pessoas haviam nos falado que as pessoas que fazem este tipo de viagem (ciclo-viagem ou peregrinação) são bastante respeitadas e benquistas na Itália.

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Eu, o alemão (Ivo Costa) e Fagner em um dos quartos do albergue.

Paramos mais uma vez para comprar nosso almoço no supermercado Conad Superstore, situado na cidade de Masero. Seguimos adiante, passando por Aulla, Isola e Betolla, onde mais a frente deixamos a Toscana e entramos na Liguria. A partir desta região, passamos por Santo Stefano di Magra, Ponzano Magra e Sarzana para mais a frente entrarmos novamente na Região da Toscana, nos limites de Dogana. A partir de Sarzana, seguimos pela SP1 até chegarmos à Avenza, onde dorminos na Parrocchia di San Pietro Apostolo (Piazza Finelli, 11). Era cerca de 19:00 horas quando chegamos em Avenza. O albergue era do tipo donativo. Demoramos um pouco para reunir forças para o banho, e algum tempo depois saímos para comer algo. Jantamos na Pizzeria Bon Ton (via Giovan Pietro). No albergue, encontramos um alemão que se chamava Ivo Costa. Ele vivia como um andarilho. Segundo ele, ao chegar em uma cidade logo procurava as paroquias em busca de abrigo e ainda pedia dinheiro ao pároco. Em suas anotações, ele nos mostrou o quanto já havia recebido pelas inúmeras paroquias, igrejas, monastérios e abadias por onde havia passado. Os valores variavam de dez a duzentos euros. E com isso, ele seguia sua vida. Visando ganhar mais um pouco, ele fazia pequenos trabalhos de quiromancia para pessoas em praças, feiras e mercados. Conversamos bastante e ele nos pareceu ser uma pessoa boa, embora não tivesse um norte ao qual procurasse seguir. O albergue tinha capacidade para oito pessoas, e já haviam cinco pessoas: nós três, Ivo Costa e outro alemão que não vimos, apenas os seus pertences.

Segundo informações do hospitaleiro e pároco da cidade, poderíamos tomar um pequeno café no bar chamado Ischia Café, situado bem ali na praça, no dia seguinte. Ao longo do dia, percorremos 62 km, porém não havia sido cansativo e nosso moral estava em alta.

Neste dia, não efetuamos gravação de vídeo.

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