15º dia de peregrinação na Via Francigena

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Via Francigena – De Colle di Val d’Elsa à Ponte d’Arbia (11/05/2015)

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Um pequeno lanche no meio do mato.

Neste dia, conseguimos sair mais cedo, por volta das 08:30 horas, e decidimos ir até Buonconvento. Embora o clima estivesse agradável, o céu estava limpo e novamente iríamos ser castigados pelo escaldante sol da Toscana. Colle di Val d’Elsa é uma cidade pequena e muito agradável. Sua história remonta ao quarto milênio a.C., conforme os inúmeros achados arqueológicos nas proximidades da cidade. Além do turismo como atividade econômica, a cidade é referência na fabricação de cristais, sendo conhecida internacionalmente por isso. Muito antigamente, esta cidade era dividida em três partes: Borgo di Santa Caterina, Castello di Piticciano e Piano. Hoje, porém, é dividida em “Colle alta” e “Colle bassa”, ou simplesmente por parte alta e parte baixa.

Assim como inúmeras outras cidades italianas, Colle di Val d’Elsa esteve sob o domínio das tropas de Napoleão, permanecendo assim até o ano de 1814. Ainda mais tarde, num período mais recente da história, durante os dias 15 e 16 de fevereiro de 1944, a cidade sofreu com bombardeios aéreos do eixo aliado, ocasionando a morte de 62 pessoas.

Quando saímos no dia anterior para jantar, caminhamos bastantes até chegar a parte baixa da cidade, ou Colle bassa. Momentos depois, já no restaurante, o proprietário nos informou que havia um elevador que ligava as duas partes da cidade. Antes de irmos embora, ele apontou a direção do elevador, e quando saímos de lá, fomos em busca do dito elevador, mas não o encontramos e tivemos que subir tudo à pé.

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Chegando em Monteriggioni.

A nossa estratégia deste dia seria chegar até a cidade de Buonconvento. Deixamos o albergue por volta das 09:00 horas e seguimos pelas ruas pitorescas de Colle di Val d’Elsa. Tomamos um rápido café com alguns salgados e seguimos viagem. Naquele momento, a estrada era a SP5 e seguíamos as placas de trânsito em direção à Siena. Embora fosse cedo, o calor e o sol já nos castigavam bastante e para completar pegamos muitas subidas pela frente. Antes do meio dia, havíamos chegado à Monteriggioni, que é um belíssimo exemplo de cidade fortificada e que data do século XIII. Fizemos uma pequena parada no centro de informações turísticas da cidade para receber mais um carimbo em nossas credenciais. Lá também funcionava um pequeno museu que reunia inúmeros artefatos bélicos da época medieval, além de inúmeras outras coisas (cerâmicas, roupas, maquetes, etc), relacionadas aos aspectos histórico-culturais daquela cidade.

Muitos turistas lotavam as mesas de um pequeno bar localizado na praça principal da cidade, e muitos deles fixavam os olhares sob nós, demonstrando a sua curiosidade com a nossa presença por ali. Talvez a bandeira brasileira tenha sido objeto de tal fixação visual. Depois desta breve parada, seguimos adiante pela rodovia SR2, onde passamos Fornacelle, San Martino, Tognazza e San Dalmazio para chegar em Siena, por volta das 15:00 horas. Fizemos uma breve parada no McDonald’s (via Fiorentina, 144) para um rápido lanche/almoço.

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Entrada do centro histórico da cidade de Siena.

Em Siena, o fluxo de turistas é muito maior que nas outras cidades por onde havíamos passado. Perdemos bastante tempo em busca de um centro de informações turísticas onde pudéssemos carimbar as nossas credenciais, mas infelizmente não conseguimos encontrar. Ainda perguntamos em algumas paróquias e a algumas pessoas nas ruas sobre albergues para passar à noite, mas ninguém soube nos informar. Não tivemos tempo de conhecer a cidade e seus monumentos, pois estávamos focados em nosso trajeto. Preferimos não perder muito tempo e seguimos o curso da rodovia SR2, onde passamos por Colle Malamelenda, Isola d’arbia, Ponte A Tressa, Le More, Monteroni d’Arbia, Lucignano d’arbia e, finalmente, Ponte d’arbia. Só que neste dia houve um pequeno imprevisto. Como havíamos decidido ir até Buoncovento, assim o fizemos, porém ao chegar lá, não conseguimos encontrar vagas em lugar algum da cidade. Todos os albergues estavam lotados. Ainda falamos com o padre da cidade, mas ele nos informou que deveríamos seguir até San Quirico d’Orcia, ou então voltar à Ponte d’arbia. A primeira opção nos faria percorrer mais 22 km, já a segunda nos faria voltar apenas 4 km. Optamos pela segunda, claro. Não havia garantia de que encontraríamos vagas no albergue de lá, mas mesmo assim seguimos em sua direção.

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Espécie de feno, comumente produzido na Toscana.

Já fadigados pelo dia exaustivo, conseguimos chegar em Ponte d’arbia por volta das 18:30 horas. Não tivemos problemas para encontrar o albergue, afinal ele fica às margens da rodovia por onde passávamos. O albergue se chamava Centro Cultural Monsenhor L. Cresti (rodovia SR2) e quando chegamos, avistamos um grupo de peregrinos italianos que haviam acabado de chegar e ainda arrumavam as suas coisas. Eles estavam fazendo o caminho de bike, e procuravam percorrer as rotas originalmente percorridas por Sigerico. Isso incluía pedalar por estradas, bosques, montanhas e tudo o mais que se pudesse imaginar. Essa rota, sem dúvida, mostrava-se ser bastante exaustiva. No albergue o pagamento não era obrigatório, portanto ficava a disposição dos peregrinos ofertarem qualquer valor numa pequena caixa, localizada no piso superior, onde ficavam os quartos. No térreo estavam localizados os banheiros, a cozinha e sala de jantar.

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Ao longo da estrada.

Após guardar as nossas coisas, fomos a um pequeno mercado comprar algo para o jantar. Compramos macarrão, alguns molhos de tomate, pancetta (bacon), vinho e ovos. Preparamos tudo na ampla cozinha do albergue, onde encontramos um peregrino iraniano de origem curda, que fazia o caminho à pé. Ele foi bastante atencioso e conversou bastante conosco, pois falava bem a língua espanhola. Ele nos disse que atualmente morava na Alemanha, e que havia deixado o seu país em decorrência da guerra entre o Irã e o Iraque, que ocorreu na década de 80. Ao terminar de preparar a sua comida, despediu-se de nós e se recolheu ao seu quarto para jantar. Preparamos o nosso jantar, sentamos à mesa e apreciamos aquela bela comida, enquanto recordávamos dos bons momentos dos dias anteriores e principalmente daquele dia.

Após o jantar, fomos dormir. O dia havia terminado e com ele havíamos progredido mais 62 km, deixando o nosso moral estável em relação ao dia anterior.

Confira abaixo o vídeo relacionado a este dia.

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