6º dia de peregrinação na Via Francigena

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Via Francigena – De Mortara à Pavia (02/05/2015)

Ponte Coberta, Pavia.

Ponte Coberta, Pavia.

Acordamos às sete horas da manhã e fomos tomar o café servido pelo albergue. O proprietário do estabelecimento se esforçava em manter o atendimento de qualidade a todos que ali se fizessem presente. No momento, apenas nós três estávamos sentados à mesa, mas era possível ver a sua preocupação com a cozinha, a mesa e o hall de entrada do albergue. Estávamos medindo o nosso tempo meticulosamente, visando poder chegar à Roma dentro da data estabelecida. Com isso, logo não tardamos em sair e caímos em campo à procura de uma loja de bicicletas onde fosse possível consertar a bike de Elizabeth. Não tardamos a encontrar uma, pois um senhor, que Fagner havia solicitado informações, acabou nos levando até o endereço de uma dessas lojas, onde foi possível efetuar todo o reparo necessário naquela peça danificada.

O proprietário da loja logo nos mostrou que o problema estava no cubo, o qual deveria ser trocado. Porém ele não dispunha de um cubo com quick release, daí optamos por um cubo convencional. Todo o serviço se resumiu na colocação de um cubo novo na mesma roda, o que demorou umas três horas ao todo. Enquanto isso, esperávamos pacientemente à frente de sua pequena loja, numa das esquinas movimentadas daquela pequena cidade. Aproveitamos ainda para comprar o nosso almoço e demais mantimentos para enfrentar o longo dia que se desenhava à frente.

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Parada para almoço.

Aquele senhor perdeu toda a manhã consertando a nossa bicicleta. Já passava do meio dia quando ele finalmente nos entregou. Visivelmente combalido pela fome e pelo cansaço decorrente do esforço depreendido para o conserto da bike, assim que recebeu o seu pagamento, logo baixou as portas de sua loja, ligou o motor do seu carro e saiu com destino à sua casa, talvez na intenção de comer uma deliciosa macarronada ou talvez uma lasanha à bolonhesa, típicos pratos da culinária italiana. Até nós, que não havíamos feito nada durante toda aquela manhã, já mostrávamos sinais de fome e até mesmo de cansaço, mas não demos trela ao cansaço e logo tratamos de seguir viagem até parar em um lugar calmo para apreciar as deliciosas costelas de porco de havíamos comprado momentos antes. Aquele, sem dúvida, foi um dos melhores almoços de nossas vidas. Paramos na entrada principal da fazenda de arroz Cascina Alberona, situada na rodovia SS596, e logo tratamos de saborear aquele deliciosa comida. Naquele ponto, tínhamos visão privilegiada de parte da sede da fazenda e dos campos de arroz situados à nossa frente. Estávamos saboreando costelas de porco com arroz, macarrão e sgombro, peixe típico do Atlântico Norte e Mar Mediterrâneo. Tudo estava muito delicioso, e aquele almoço foi para nós um verdadeiro banquete.

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Estrada para a Fazenda Cacina Alberona.

Passada a hora do almoço, não havia mais motivos para estarmos ali. Portanto, logo partimos, e o nosso destino daquele dia já havia sido traçado desde cedo, pretendíamos chegar à cidade de Pavia. Praticamente todo o trajeto se deu pela rodovia SS596, exceto nos últimos quilômetros, pois pegamos pela rodovia SS35, que nos levou ao coração daquela cidade. Pavia é uma cidade bastante grande e muito movimentada. Era sábado, pós feriado do trabalhador, e muitas pessoas estavam aproveitando o feriadão nos parques da cidade.
Depois de uma procura causticante pelo albergue que pretendíamos dormir, com idas e vindas pelo centro da cidade, voltamos para o começo da cidade, nas proximidades da Via XXV Aprile, quando finalmente conseguimos localizar a Parrocchia S. Maria in Betlemme (Via Pasino, 5). Mas, momentos antes de chegar à paroquia, na altura da Via XXV Aprile, o pneu traseiro da bicicleta de Elizabeth furou. Ao chegarmos na paróquia falamos com o pároco, que acabou nos informando que o albergue não dispunha de mais vagas para nos acolher. Sem saber ao certo para onde iríamos naquele momento, afinal era muito desalentador chegar num albergue e receber a notícia de que alí não havia mais vagas. E para completar com um pneu furado! Mas o pároco acabou nos informando outro local, ali bem próximo de nós, onde poderíamos passar a noite. Se tratava de um estabelecimento particular, situado na Via dei Mille. Agradecemos a ajuda do pároco e lá fomos em busca de um teto para passar à noite. Este albergue não tinha uma placa de identificação e demos sorte, pois quando dávamos meia volta naquela rua estreita para ir procurar outro lugar, uma senhora apareceu e perguntou se precisávamos de um albergue. Dissemos que sim, e logo entramos. Os proprietários daquele estabelecimento, Sr.. Eurico e Sra. Ângela, nos acolheram da melhor maneira possível. Como eles tinham um propriedade muito grande, resolveram transformar parte dela em um albergue, e obter um dinheiro extra com aquela atividade. Os dois se revezavam na administração do albergue, afinal não contavam com funcionários para ajudar nos afazeres diários. O lugar era bastante organizado e possuía muitos folhetos, livros e mapas sobre a Via Francigena. Ficamos em dois quartos. Eu e Elizabeth em um, e Fagner noutro. Procuramos arrumar as nossas coisas e, ainda vestidos à caráter para uma boa pedalada, fomos a uma pizzaria, localizada na esquina daquela rua, para comprar umas pizzas. Logo voltamos e comemos as pizzas no jardim do albergue.

Algum tempo mais tarde, aproveitamos a máquina de lavar para lavar algumas roupas, no entanto, algumas delas não ficaram devidamente centrifugadas, o que por sua vez contribuiu para que elas não ficassem secas no dia seguinte. Todo o processo de lavagem veio a se concluir a zero hora do dia posterior, e enquanto não terminava, eu pacientemente assistia à programação da TV, mesmo sem entender que estava passando, pois Fagner e Elizabeth já estavam dormindo.

Ao todo, neste dia havíamos percorrido cerca de 53 quilômetros e estávamos bastante animados com e com moral média alta.

Neste dia, não efetuamos gravação de vídeo.

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