5º dia de peregrinação na Via Francigena

http://viafrancigena.com.br

Via Francigena – De Vercelli à Mortara (01/05/2015)

Centro de Vercelli

Centro de Vercelli

O ritual de toda manhã já estava bastante intrínseco em nossos corpos e mentes, e se resumia em três ações básicas: acordar, arrumar, desjejuar e sair. Pois mais tarde, outras pessoas iriam descansar nos aposentos que havíamos usado na noite anterior e, posteriormente, viriam a cumprir o mesmo ritual que nós. E assim sucessivamente.

Após levantar, rapidamente arrumamos as nossas coisas e fomos tomar o café da manhã, que estava sendo posto à mesa. Havia leite fresco, bolo, bolachas, biscoitos e pães postos à mesa para nosso desjejum. Ao terminar, logo nos despedimos de todos, pegamos nossas bicicletas e fomos à procura da loja Decathlon, que ficava no outro lado da cidade, cerca de uns 5 km dali. A poucos metros do albergue, um grupo de ciclistas logo nos deu um apoio. Conversa pra cá, conversa pra lá, e ficamos sabendo que a Decathlon estava fechada, pois um dos ciclistas ligou para um vendedor daquela loja, que lhe informou que ela estava fechada, afinal era o dia 1º de maio, dia do trabalhador. O pessoal do albergue havia nos falado que possivelmente a loja estaria fechada naquele dia, mas não nos deram uma certeza, contudo acreditamos que por ser uma loja de grande porte ela estaria aberta naquele feriado. Um dos ciclistas nos disse que seria possível dormir nas barracas de camping situadas no estacionamento da loja, e esperar a sua abertura no dia seguinte para consertar ou comprar uma roda nova.

http://viafrancigena.com.br

Em frente ao Convento di Biliemme.

Seguimos até a loja, e lá chegando, Fagner se encarregou da vigilância das bicicletas, enquanto eu e Elizabeth fomos ao Carrefour, que ficava nas proximidades, para comprar o nosso almoço. Seria cômico se não fosse trágico, pois aquele hipermercado possuía várias peças de bicicleta, exceto cubos. Justamente a peça que nós precisávamos. Mas mesmo se fosse possível comprar um cubo traseiro novo, não teríamos como fazer a troca, pois não dispúnhamos de chave de raios. Fazer o quê? Há males que vem para o bem, já diz o ditado. Compramos o nosso almoço e logo retornamos para o estacionamento da loja Decathlon. Fagner já estava impaciente com a nossa demora, ele já havia dado inúmeras voltas ao redor do gramado, situado ao lado daquela loja. Durante o tempo que permanecemos ali, muitos carros entravam no estacionamento e, quando percebiam que a loja estava fechada, logo saiam de lá.

http://viafrancigena.com.br

Em frente ao Convento di Biliemme.

Alguns minutos mais tarde, já de barriga cheia, começamos a fazer uma breve observação no problema na roda da bicicleta, daí percebemos que quando o quick release da roda era apertado, ela permanecia travada, impossibilitando qualquer pedalada. Mas quando ele permanecia folgado, o giro na roda era possível. Providenciamos uma lubrificação na catraca e cubo, e optamos por deixar o quick release um pouco folgado, o que nos possibilitou seguir viagem. Já estava um pouco tarde, cerca de doze e meia da tarde quando deixamos o estacionamento da Decathlon e seguimos viagem com destino à cidade de Pavia. O dia estava bastante propício à pedalada, pois o céu estava nublado e o clima era bem agradável. Ao sairmos da cidade, seguimos pela SS596, passando por inúmeros vilarejos, tais como Torrione, Barola, Cascinotti Carona, Palestro, Cascina Sant’Anna. A esta altura já havíamos entrado na Região da Lombardia, e sua paisagem nos fazia recordar os inúmeros conflitos ocorridos por aquelas bandas, no decorrer da guerra de independência Italiana, como por exemplo as Batalhas de Palestro e Novara. O Vale de Aosta e o Piemonte haviam ficada para trás, mas carregávamos em nossas mentes e corações boas lembranças das pedaladas por aquelas terras.

http://viafrancigena.com.br

Centro de Vercelli.

Mais a frente, pegamos a SS494, que nos levou até Mortara, e lá chegando não encontramos vagas no local que pretendíamos dormir, a Abadia de Sant’Albino, cujo pagamento não era obrigatório. De volta ao centro da cidade, ao passarmos pela Via Sant’Albino Alcuino, avistamos um canhão de artilharia da segunda guerra no interior de uma propriedade. Como era tarde, não paramos para realizar registro fotográfico daquele artefato bélico. Um das vantagens de uma viagem lenta, como uma cicloviagem, é a possibilidade de ver detalhes ocultos aos que porventura utilizem outras formas de locomoção, em especial, veículos automotores. Acabamos encontrando vaga no Ristorante Albergo Bottala (Corso G. Garibaldi, 1), a um preço bastante razoável. O local dispunha de boa localização, contava com espaço para guardar as bicicletas e seus quartos eram bem aconchegantes. À noite, ainda saímos para garimpar a janta. Fomos à procura de uma pizzaria e kebaperia, e logo encontramos uma. Os dois atendentes do estabelecimento eram turcos e ao saber que éramos brasileiros, um deles logo não perdeu a chance de falar em futebol, mas precisamente da copa do mundo, mas é claro que não perdoaram a humilhante derrota a qual fomos submetidos durante aquela competição esportiva. No entanto, vale salientar que ainda somos reverenciados no mundo da bola pelos grandes craques do passado e presente, pois ele elogiou bastante a qualidade dos nossos jogadores. Com isso acabei percebendo que não apenas a matemática possui uma linguagem universal, o futebol, principalmente o brasileiro, abre portas em qualquer lugar do mundo, sem dúvida. Ele ainda nos perguntou o que fazíamos por aquelas bandas, afinal nunca tinha visto brasileiros por aquela cidade. Contamos-lhe de nossa peregrinação pela Via Francigena e ele se mostrou fascinado com nossa força de vontade e coragem por se enveredar por aqueles caminhos que havíamos percorrido e os que estávamos prestes a percorrer.

http://viafrancigena.com.br

À espera dos kebaps.

Naquele ambiente, muitos de seus compatriotas compareciam para apreciar o manjares do oriente, ver uma novela turca, ou um jogo de seu time preferido, o Galatasaray, onde atualmente jogam os brasileiros Alex Teles e Felipe Melo. Agradecemos-lhe por tudo e rapidamente voltamos, demasiadamente satisfeitos com os Kebap’s que havíamos comido, ao aconchego do albergue, pois a noite estava chuvosa e também fazia um pouco de frio. Mesmo com o problema na roda traseira da bicicleta de Elizabeth, aquele dia havia sido bastante proveitoso. Havíamos remediado uma situação-problema da bicicleta de forma serena e tranquila e estávamos satisfeitos com o pequeno progresso obtido ao longo de nossa jornada pela Via Francigena, cerca de 38 quilômetros, o que contribuiu para manter o nosso moral em patamares de dias anteriores.

Neste dia, não efetuamos gravação de vídeo.

Total 0 Votes
0

Tell us how can we improve this post?

+ = Verify Human or Spambot ?