4º dia de peregrinação na Via Francigena

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Via Francigena – De Ivrea à Vercelli (30/04/2015)

Ostello Ivrea Canoa Club, Ivrea.

Ostello Ivrea Canoa Club, Ivrea.

Acordamos às oito e meia da manhã e tomamos um café ainda no albergue. Arrumamos nossas bagagens, e em seguida nos despedimos da senhora Lorella. Elas dos deu três broches da Associação “La Via Francigena si Sigerico di Ivrea“, e pediu para que passássemos por lá. Nos despedimos dela e seguimos até a Associação. Ao longo do caminho, na altura do corso Constantino Nigra, era possível observar uma grande ponte ferroviária que foi alvo de sabotagem por parte da Brigada F.lli Rosselli, da VII divisão “Giustizia e libertà”, no dia 24 de dezembro de 1944, naquele que ficou conhecido como o ato mais heroico de sabotagem realizado durante a Guerra de Libertação. O que contribuiu para poupar a cidade do destrutivo ataque aéreo que estava sendo preparado.

Ao chegarmos lá, fomos bem recebidos, inclusive com direito a fotos e biscoitos de canela. Nos despedimos e seguimos viagem. Mais à frente, uma parada no supermercado para comprar mantimentos. Embora tivéssemos acordado um pouco cedo, já era tarde, e não havíamos progredido muito. Daí em diante não paramos, apenas perto da cidade de Burolo para um pequeno almoço, comprados momentos antes num supermercado.

Ao fundo, o Lago de Viverone.

Ao fundo, o Lago de Viverone.

Com seus campos verdes e grande quantidade de árvores nas propriedades, a região do Piemonte mostrava-se bastante bonita. Procuramos seguir viagem pela rodovia SP228, e mais adiante chegamos ao lago de Viverone que é considerado o terceiro maior lago desta região. Nas margens do lago, era possível ver inúmeros bares e restaurantes, assim como algumas marinas. Após alguns minutos apreciando o lago, tiramos algumas fotos e gravamos um rápido vídeo. Dalí, seguimos mais adiante, pois a nossa pretensão seria chegar a cidade de Vercelli, e ainda tínhamos muita estrada pela frente.

Parada para o lanche em Cavaglia.

Parada para o lanche em Cavaglia.

Mais à frente, passamos pelas cidade de Cavaglia, Santhià e San Germano Vercellese. Ainda em Cavaglia, uma pequena parada foi necessária para uma lanche improvisado à beira da rodovia SS143, onde pudemos apreciar o magnífico cemitério que estava poucos metros à nossa frente. Do cemitério, uma construção chamava muito a atenção, a Chiesa di Santa Maria de Babilone, construída a partir do século XIII. Não tivemos tempo de entrar para conhecê-las, mas ela valia uma visita. Depois do rápido lanche, seguimos pela mesma rodovia, a SS143, que nos levou até San Germano Vercellese, e a partir de lá, seguimos até Vercelli pela SP11. A poucos quilômetros de Vercelli, a bicicleta de Elizabeth simplesmente travou a roda traseira. Caramba!!! Quase todo dia era uma novidade. E aquela acabava de nos atingir como um raio. Tentamos consertá-la ali, no acostamento quase que inexistente daquela rodovia, cujo fluxo de veículo era terrível, mas mesmo assim a magrela insistia em permanecer quebrada. Andamos um pouco, e ao passar num posto de gasolina, logo paramos para tentar consertar novamente, mas não teve jeito, o nosso esforço foi em vão. Agradecemos ao pessoal do posto que nos emprestou duas chaves, e seguimos empurrando as nossas bicicletas até Vercelli.

Afrescos em fachada de igreja.

Afrescos em fachada de igreja.

Ao chegarmos em Vercelli, logo localizamos uma loja de bicicleta que ficava no começo da cidade. Falamos com o vendedor e o dono da loja, mas por conta do horário não seria possível consertá-la naquele dia, pois o expediente estava prestes a acabar, e o reparo não ficaria pronto antes do horário de fechamento da loja. Ficamos achando que o proprietário poderia ter feito mais por nós, mas tudo bem. Cada um faz o que pode. Seguimos adiante empurrando as bikes e à procura do albergue para passar à noite. Após andar e perguntar bastante, finalmente havíamos chegado ao nosso destino daquele dia, o Convento di Biliemme (corso Alessandro Salamano, 139). Embora estivéssemos um pouco tristes com mais um revés, ficamos alegres ao encontrar ao menos um lugar para dormir.

Havíamos garantido abrigo para passar aquela noite friorenta que não tardaria em chegar. Mas, e a comida? Pois é! Essa deveria ser a nossa primeira prioridade, mas acabou ficando em segundo plano. Após alguns minutos efetuando os registros no albergue e recebendo mais um carimbo em nossas credenciais, finalmente saímos a caça de nosso jantar. Já estava escuro e o frio se fazia presente. Algumas quadras adiante, encontramos um pequeno restaurante com a ajuda de um imigrante de Bangladesh, que caminhava solitário pelas ruas escuras da cidade com um grande buquê de flores que provavelmente seriam vendidas, visando lhe garantir algum sustento. Agradecemos a gentileza daquele cidadão e lhe retribuímos com algumas moedas. Comemos um prato de massa, embora não suficiente para satisfazer a nossa fome, e logo retornamos ao conforto do albergue para mais uma noite de descanso. O dia seguinte logo chegaria e nos traria uma preocupação maior, pois ficamos sabendo que possivelmente as lojas da cidade seriam fechadas, pois seria dia do trabalhador. Nossa aposta seria a Decathlon, que ficava na entrada da cidade, pois ela poderia estar aberta, segundo informações dos hospitaleiros do albergue.

Com mais um dia concluído em nossa jornada, conseguimos avançar cerca de 65 km, deixando o nosso moral em alta.

Confira abaixo os vídeos relacionados a este dia.

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