2º dia de peregrinação na Via Francigena

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Via Francigena – De Aosta à Châtillon (28/04/2015)

Frente do Hotel Al Caminetto, Aosta.

Frente do Hotel Al Caminetto, Aosta.

Mais um dia pela frente. Ainda era cedo quando acordamos, não recordo a hora, e logo após o café da manhã, digno de ser um banquete para qualquer imperador romano, fomos pegar as nossas bicicletas. No entanto, a minha ainda carecia de um pequeno reparo na câmara de ar do pneu traseiro, que havia furado na tarde do dia anterior. Optei pela troca da câmara de ar, ao invés do seu reparo pois mostrava-se ser mais rápido e prático. Ao todo, havíamos levado sete câmaras de ar, além de um kit de reparos. Com o pneu consertado, era hora de botar o pé na estrada, ou melhor dizendo, colocar os pneus para rodar. Algumas quadras à frente, pudemos ver uma cópia da Loba Capitolina, situada na praça da República. Mais à frente, ao passar pela Piazza Émile Chanoux, principal praça de Aosta, fomos abordados por alguns senhores curiosos em saber de onde vínhamos e aonde estávamos indo. Um deles falava bem o nosso idioma, pois já havia morado no Brasil, e aquela conversa foi bastante fluída.

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Alguns amigos em Aosta.

Logo alí, em frente ao Hotel de Ville, pudemos observar mais um monumento em homenagem às vítimas da primeira e segunda guerras mundiais. Dali, partimos em busca de um supermercado localizado no entorno daquela praça. Enquanto eu e Elizabeth nos dirigíamos na direção do supermercado, notamos que Fagner não estava em nossa cola. Deixei Elizabeth esperando ao lado do estacionamento do supermercado, e parti em busca de Fagner que já estava bastante longe. Ao alcançá-lo, logo voltamos ao estacionamento do supermercado onde pudemos comprar alguns mantimentos.

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Seguindo viagem.

Já abastecidos, era hora de ir em frente e procurar não se distrair do nosso objetivo principal: chegar em Roma em 18 dias, no máximo. Porém, confesso que era quase impossível não se distrair ao ver grandes monumentos construídos por grande ícones da humanidade. E o mais deslumbrante daquele dia, sem dúvida, foi o Arco de Augusto, construído em 25 a.C. Sua imponência e grandiosidade a todos fascinava. Seria impossível ignorá-lo. Ao sairmos da cidade, pegamos a rodovia SS26, e mais adiante pegamos uma ciclovia que segue lado a lado com o rio Dora Baltea. A visão daquele vale, coberto pelo verde das pastagens, contrastava com a exuberância dos altos picos nevados que pairavam imponentes e intocáveis como se fossem meras pinturas por trás de todo aquele cenário fascinante. E como se não bastasse, toda aquela beleza se completava ao som produzido pelas suaves corredeiras do rio, acompanhado de cânticos de pássaros silvestres.

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Arco de Augusto, 25 a.C.

Minutos mais tarde, já nas proximidades do castelo de Ussel, ao pegarmos um caminho pelos bosques, meu pneu traseiro veio a furar. Após uma troca rápida, seguimos viagem. Mais adiante, já no entorno de Châtillon, verificamos que haviam algumas setas indicativas (de cor rosa e verde) ao longo do caminho, e logo tratamos em segui-las. Só que aquelas indicações acabaram nos levando para trilhas de trekking nos bosques, que culminaram na chegada a um pequeno vilarejo antes do pôr do sol daquele dia. Até ali, pensávamos estar no caminho certo, mas ao perguntar a um morador local que passeava com o seu cachorro, o nome daquele lugar, descobrimos que se chamava Ussel. Aquele lugarejo era bastante pequeno, não possuía mais que 30 casas, separadas por uma pequena estrada estreita de asfalto. Aproveitamos para completar o nossos cantis com água potável que jorrava infindamente em um pequeno chafariz que ficava bem na entrada do vilarejo. Perguntamos-lhes se havia algum albergue para passar à noite naquela localidade, mas ele informou que não havia nenhum. E disse que deveríamos ir até Châtillon, pois somente ali seria possível encontrar tais acomodações. Ao verificarmos a nossa posição no mapa, realmente nos demos conta que as setas, que comumente são utilizadas ao longo do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, para guiar os peregrinos, haviam nos pregado uma grande peça, levando-nos para um lugar desconhecido e fora de nossa rota. Havíamos confiado cegamente nas setas, ao ponto de ignorarmos a nossa posição no mapa. Agradecemos a informação prestada pelo morador local e seguimos viagem até Châtillon.

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Ponte de madeira, nas proximidades de Ussel.

A noite não iria tardar em chegar. Naquele momento, eram mais de 20:00 horas, mas o céu ainda estava claro. Ao passarmos por um B&B (Bad and Breakfast), não hesitamos em tocar a sua campainha. Logo uma senhora apareceu, e nos informou que lá não havia vagas. Insistimos, pois já era tarde e estávamos receosos em não encontrar lugar para dormir. Novamente a sua resposta foi negativa. Daí, eu falei que poderíamos dormir até na garagem de sua casa, mas ela falou não ser possível. Mostrei-lhe a lista de albergues peregrinos da Via Francigena e lhe perguntei se ela sabia onde ficava o daquela localidade (Châtillon), mas ela não soube informar, apenas disse que o seu estabelecimento era único naquela localidade do tipo B&B. Com isso, era praticamente certo que iríamos dormir na rua, ou na melhor das hipóteses na estação de trem, se isso fosse permitido. Começamos a ficar com medo e a perder um pouco as esperanças, mas ao encontrarmos um senhor em frente a um bar, ao lado da estação de trem, perguntamos-lhe se conhecia o albergue daquela cidade presente em nossa lista. Prontamente ele pediu para que seguíssemos o seu carro até o albergue da lista. Ao chegarmos no endereço indicado, funcionava apenas uma escola e não havia albergue algum. As pessoas que estavam tendo aulas de música e canto naquele momento, não souberam informar onde ficava o tal albergue.

A bondade daquele senhor era visível em seus olhos, e ele não nos daria às costas naquele momento de incertezas e dificuldades. Logo, ele se ofereceu para nos levar a uma paróquia onde poderíamos dormir. Eu e Elizabeth decidimos ficar guardando as bicicleta e Fagner foi com aquele bom senhor até uma das paróquias da cidade. Cerca de quarenta minutos depois, eles retornaram com uma boa notícia. Após passarem por quatro paróquias e contar sobre a nossa trajetória, finalmente eles haviam encontrado uma com vaga para nos acolher em uma destas paróquias. Novamente ele fez questão de nos levar até lá. Quando chegamos à paróquia, eram aproximadamente 21:30 horas, estava escuro e fazia bastante frio. Agradecemos muito aquele senhor, afinal tudo havia dado certo, graças à Deus e a ele. Ao terminar de nos alojar, ainda fomos comprar algumas pizzas. O quarto era pequeno, havia um banheiro e as camas estavam dispostas lado a lado, separadas por dois criados-mudos, além disso haviam também uma pequena mesa, que logo foram aproveitados para colocar as pizzas, e uma escrivaninha. O albergue era aconchegante e nos proporcionou uma noite tranquila e longe do frio. Havíamos aprendido a lição, e estávamos com nossos ânimos e moral renovados. Apesar do pouco progresso em relação à nossa jornada, conseguimos avançar apenas cerca de 28 km, ficando bastante aquém do nosso objetivo do dia, que seria chegar na cidade de Ivrea.

Confira abaixo os vídeos relacionado a este dia.

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