16º dia de peregrinação na Via Francigena

Via Francigena – De Ponte d’Arbia à Radicofani (12/05/2015)

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Cada vez mais próximos da eterna Roma.

Acordamos um pouco tarde e saímos às 09:15 horas, logo após um café bem reforçado. Não havia mais ninguém no albergue, exceto o peregrino iraniano que ainda estava dormindo. No dia anterior, ficamos bem contentes ao perceber que o nome de Roma já começava a aparecer nas placas de sinalização de trânsito ao longo das rodovias. Isso provava que o nosso destino final já estava bem próximo.

A origem do nome Ponte d’Arbia está vinculada à ponte sobre o Rio Arbia, a qual foi construída no ano de 1388. Segundo o itinerário de Sigerico, esta cidade foi definida como a décima quarta etapa de sua jornada de peregrinação. Nosso percurso inicial deste dia continuou ao longo da rodovia SR2, até o entroncamento da Strada Provincial del Brunello, onde seguimos o seu curso sempre nos orientando pelas placas indicativas da Via Francigena. Havíamos definido como parada final deste dia, a cidade de Radicofani. Além do típico sol escaldante da Toscana, tínhamos um outro fator negativo para superar, ou melhor dizendo, muitas subidas ao longo do dia, sendo a pior delas antes, a poucos quilômetros antes de chegarmos à Radicofani. A partir da rodovia SP14, a vegetação passava a ficar mais rasteira e com o avançar das horas, o sol ia ficando mais quente, e não tínhamos onde nos abrigar para descansar um pouco. Acabamos voltando à rodovia SR2, e tivemos mais subida pela frente sob o sol de rachar.

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Igreja em San Quirico D’orcia.

Mais adiante fizemos uma breve parada em San Quirico D’orcia. Aproveitamos para encher os nossos cantis numa fonte localizada logo abaixo da Porta Al Cappuccini. Logo adiante, paramos no Caffe Dante (via dei Fossi, 8) para um breve almoço. Após sairmos de San Quirico D’orcia, continuamos nossa pedalada pela rodovia SR2. Ao longo desta rodovia, vimos muitas fazendas com suas entradas adornadas pelas fileiras de ciprestes, milimetricamente plantados lado a lado. No entanto, a que nos deixou mais maravilhados foi o Agriturismo Poggio Covili, que possui uma beleza única. Neste lugar, muitos turistas paravam para tirar algumas fotos. Encontramos ainda um casal de brasileiros do Rio de Janeiro que ficaram muito surpresos ao saber de nossa jornada de peregrinação. Nos despedimos do pessoal, e agradecemos-lhes pelas fotos que tiraram conosco e pelo apoio recebido. Seguimos adiante, e na altura de Gallina, já com os cantis sem água, paramos para comprar em um bar local, mas ele estava fechado. Poucos metros antes, havíamos passado por um senhor que estava parado à frente de sua casa. Sabendo disso, demos meia volta e fomos ao seu encontro. Lá chegando, pedimos um pouco de água, e ele logo nos deu. Enchemos os nosso cantis, agradecemos-lhes e seguimos adiante.

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Agriturismo Poggio Covili.

Mais a frente, ainda no vilarejo de Gallina, mais um parada foi necessária para comprar água e tomarmos uns sorvetes, pois o calor estava de matar e não queríamos arriscar ter que ficar sem água. Mais adiante, fomos obrigados a pegar um desvio pela rodovia SP478, pois a rodovia SR2 estava com uma ponte interditada. No começo desta rodovia, encontramos uma peregrina que estava perdida, mas com o nosso auxílio ela encontrou o caminho correto, seguindo-nos até Radicofani. Durante este percurso vespertino, o sol não nos incomodou, pois já passava das 16:00 horas. A partir dali foram aproximadamente 8 km montanha acima até chegarmos no nosso destino final, a cidade de Radicofani, por volta das 19:00 horas. Não demoramos muito a encontrar o albergue Casa Jan Jacopo di Compostela (via Magi). Não sei se foi o fato de chegarmos tarde, pois o senhor que nos recebeu parecia estar meio chateado ou mal humorado. Num primeiro momento, talvez, ele tenha pensado que éramos “falsos peregrinos”, que acabam inundando os caminhos de peregrinação em busca de férias baratas. Mas quando ele viu as nossas credenciais, e percebeu de onde havíamos iniciado, logo mudou o seu semblante. Tirando este episódio, fomos muito bem tratados e acolhidos pelo hospitaleiro.

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Cavalos pastando. Ao fundo torre do castelo de Radicofani.

Devido a falta de espaço, as nossas bikes tiveram que ficar do lado de fora do albergue. Ainda encontramos outros peregrinos de várias nacionalidades diferentes. A maioria eram ciclistas italianos, que na noite anterior haviam dormido no mesmo albergue que nós, os outros eram quatro alemães e um inglês, e totalizavam umas dez pessoas, exceto nós. O albergue não era muito grande, mas era bem aconchegante e muito bem organizado e limpo. Havia cozinha onde os peregrinos podiam preparar a sua comida e uma ampla mesa que podia comportar facilmente umas 15 pessoas. Aproveitamos que havia uma pequena loja de conveniência aberta a poucos metros do albergue, e lá fomos comprar nosso jantar. Compramos praticamente os mesmos ingredientes do dia anterior.

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Vista da cozinha do albergue.

Do outro lado do balcão, um jovem, ao perceber que éramos brasileiros, começou a falar conosco em português. Num primeiro momento, pensamos que fosse um brasileiro que havia ido tentar a vida por aquelas bandas, mas não. Era um italiano que gostava muito do Brasil e que tinha planos de vir morar por aqui, pois estava terminando de construir uma pousada na cidade de Japaratinga, no Estado de Alagoas, e que dista uns 100 km de nossas residências. A partir disso tiramos a prova que o mundo é bastante pequeno.

Ele se chamava Adriano Ceconni e conversou bastante conosco. Ele nos disse que há muito tempo, cerca de uns dois anos, não se via peregrinos brasileiros naquele trecho da Via Francigena, e os que haviam passado estavam à pé. Com isso, concluímos que talvez tenhamos sido os primeiros brasileiros a peregrinar em bicicleta, ou como dizem alguns bicigrinar, por todo o trecho italiano da Via Francigena. Ele ainda nos presenteou com um bom vinho para acompanhar o jantar.

Sem dúvida que o dia havia sido bastante corrido e estávamos muito cansados, mas conseguimos vencer todos os obstáculos e alí estávamos mais uma vez celebrando mais um belo dia. Conseguimos avançar 52 km e o nosso moral estava médio.

Confira abaixo os vídeos relacionados a este dia.

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