12º dia de peregrinação na Via Francigena

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Via Francigena – De Avenza à Lucca (08/05/2015)

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Albergue de Avenza.

Neste dia, acordamos um pouco tarde, por volta das 08:00 horas, arrumamos nossas coisas e fomos tomar o café da manhã no bar que o padre havia nos falado no dia anterior. Ainda encontramos o Ivo Costa, que fez questão de nos levar lá. Deixamos as bikes na frente do bar e pedimos um cappuccino e um salgado para cada um, mas não pedimos mais nada. Afinal, por ser grátis, não queríamos abusar da boa vontade. Por menor que seja, um cappuccino pela manhã te deixa mais disposto. Pode crer! Nosso objetivo daquele dia já havia sido traçado, queríamos chegar até Lucca e para isso precisávamos correr contra o tempo, pois havíamos acordado um pouco tarde. O fato de acordar tarde significava que deveríamos pedalar até mais tarde. Muitos dos dias anteriores foram marcados por chegadas aos nossos destinos sempre em horários bem tarde, o que algumas vezes nos custava uma vaga nos albergues oficiais da Via Francigena, principalmente os do tipo donativo ou oferta, como ocorreu em Pontremoli. Nestes albergues poderiam ter vagas, mas devido ao horário, não havia mais ninguém para nos atender.

Segundo dados cartográficos do nosso livro, era evidente que estávamos praticamente no meio do caminho até Roma, ou seja, já havíamos percorrido aproximadamente 500 km. Neste dia, o clima não estava para brincadeira, pois estava bastante ensolarado, o que acabava por nos debilitar muito durante a viagem.

Saímos de Avenza, e sob o sol ou chuva deveríamos chegar até Lucca, visando cumprir o prazo estabelecido para o nosso destino final, a eterna Roma. Não seguimos viagem pela rodovia SS1, que era uma estrada muito movimentada. Preferimos seguir por dentro das cidades, pela via Massa Avenza, mas isso não nos livrou do grande fluxo de veículos. Avenza e muitas das outras cidades que cruzaríamos neste dia, são banhadas pelo mar ou bem próximas dele. Como sabemos, as cidades costeiras em qualquer país do planeta, atraem muitas pessoas, sejam residentes ou não. E ali não seria diferentes dos outros lugares.

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Vista do Mar Tirreno.

Quando demos um ligeira parada para comprar alguns mantimentos no Carrefour, da via Massa Avenza, conhecemos um senhor italiano, de cujo nome não recordamos. Ele possuía uma casa no Brasil, creio que no estado de Minas Gerais. Conversamos algum tempo e ele nos chamou para tomarmos uma cerveja na cidade de Pietrasanta, que ficava a poucos quilômetros dali. Não recordo o nome da localidade onde ele morava, mas segundo as suas informações, ela ficava numa parte mais alta daquela cidade, tipo uma colina. De acordo com a sua indicação, seguimos adiante com direção ao Mar Tirreno, passando pela Piazza Francesco Betti, em Marina di Massa. Dali, pegamos a via Americo Vespucci e mantivemos o trajeto sempre em frente, ou “dritto”, como ouvíamos repetidamente, assim que solicitávamos informações. Um pouco adiante, paramos na Piazza Bad Kissigen, tiramos algumas fotos e gravamos um pequeno vídeo. Não demoramos muito, e logo seguimos viagem. O senhor do supermercado, logo nos acompanhou. Ele estava numa moto, buzinou e falou que estaria à nossa espera. Acenamos para ele e continuamos nossa viagem. Havíamos informado que por volta do meio dia, ou uma da tarde estaríamos por lá. Deveríamos encontrá-lo na praça principal da cidade.

Toda a orla de Marina di Massa era muito bem organizada. Muitas marinas e mansões podem ser observadas ao longo da orla. Mais adiante, já nas proximidades de Pietrasanta, fizemos uma pequena parada em mais um supermercado, mas agora para comprar o nosso almoço. Nesta parada, ainda conhecemos um brasileiro que morava na Itália há 12 anos. Quando ele viu a bandeira do Brasil nos guidões das bikes foi uma alegria só. Conversamos bastante e lhe perguntamos como chegar na localidade que o senhor do supermercado havia nos falado, ele nos disse que talvez ficasse um pouco fora de nossa rota e que teríamos que pegar uma baita subida até lá. Agradecemos-lhe por tudo e seguimos adiante. Fizemos uma parada para almoço em Pietrasanta, ao lado de um cemitério, situado às margens da rodovia SS439. Como não tínhamos tempo suficiente, preferimos não ir ao encontro do senhor que havíamos conhecido no supermercado. Ele deve ter entendido. Aquela decisão foi a mais assertiva e unânime entre nós três, pois caso tivéssemos ido, não conseguiríamos chegar ao destino planejado daquele dia.

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Igreja em Maggiano.

Depois do almoço, descasamos uns 10 minutos, o suficiente para alongar as pernas e braços. Assim que deixávamos o local, a minha bike caiu e danificou o bagageiro, que já não estava tão bem assim, e com a queda mais o peso dos alforjes não deu muito certo. O resultado disso foi sentido pouco tempo depois, já na altura da via Sazarnese, 77, quando o alforje quebrou na base de sustentação, fazendo com que ficasse pendendo para um lado e raspando no pneu. Com isso, tivemos que fazer uma breve parada para observar melhor o problema e procurar resolvê-lo, e embora estivéssemos coincidentemente parados ao lado de uma loja de moto e bike, ela não estava aberta. Não me dei por vencido com relação ao problema. Num primeiro momento, não parecia haver ter solução para o bagageiro, e apenas um novo seria a solução. Não foi fácil, procurei manter a cabeça fria, e com a ajuda de Fagner e Elizabeth, conseguimos contornar o problema do bagageiro. Utilizamos vários lacres de plástico e um parafuso para reforçar toda a estrutura do bagageiro. O resultado foi um bagageiro firme que, mesmo estando quebrado, parecia ser novo em folha. Após perder um tempo no conserto da bike, seguimos em frente pela rodovia SS439, passando por inúmeras cidades como Sassaia, Piano di Conca, Massarosa, Quiesa, Maggiano e San Macario in Piano para enfim chegarmos à Lucca. Todo o dia havia sido bom para pedalar, mas já no final do dia pegamos uma subida nas proximidades de Quiesa, mas depois do que passamos no Passo della Cisa, aquela subida foi fichinha. Não demorou muito e o negócio melhorou, pois pegamos uma descida alucinante, e mais uma vez os pneus cantaram como nunca. Tomando os devidos cuidados, a competição sobre a maior velocidade estava lançada. Elizabeth, como era mais prudente, não participava, mas eu e Fagner não medíamos esforços. Mas quem levou a melhor neste dia foi eu com 61,5 km/h, enquanto ele havia atingido cerca de 60,5 km/h.

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Quarto do albergue Arciconfraternitá di Misericordia.

Chegamos na cidade fortificada de Lucca por volta de 18:30 horas e fomos procurar o albergue mais próximo. Por ser um cidade turística, podia-se ver muitos turistas nas ruas, lotando os cafés e restaurantes ao longo dos lugares por onde passamos até chegar à Arciconfraternitá di Misericordia (via C. Battisti, 2). Um das construções que mais nos chamou atenção foi a Chiesa di San Michele in Foro. Para outras pessoas, além da igreja, outra coisa chamava bastante atenção, era o galo da minha bike, que foi muito utilizado como buzina para abrir caminho pelas ruas estreitas de Lucca e até mesmo para anunciar a nossa chegada. Já na recepção da Arciconfraternitá di Misericordia, carimbamos as nossas credenciais e ficamos sabendo que não haviam vagas no prédio principal do albergue, contudo fomos alojados num apartamento, de propriedade da mesma Instituição, situado no começo da via Buia. As bikes, por sua vez, ficaram no prédio principal, pois não havia espaço no lugar onde ficaríamos para manobrar as bikes escadas acima e alojá-las em nosso quarto. Embora fosse um albergue de donativo, deveríamos deixar um valor simbólico comparado a estrutura do lugar e sua localização central. O quarto deste albergue era muito melhor que muitos quartos de hotel por aí. Lá haviam três camas, banheiro e cozinha, mas como era tarde, decidimos sair para comer umas pizzas e tomarmos um sorvete, pois não havia mais supermercado algum aberto.

A pedalada deste dia foi muito boa e conseguimos avançar 74 km, o que deixou o nosso moral elevado.

Confira abaixo os vídeos relacionados a este dia.

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