10º dia de peregrinação na Via Francigena

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Via Francigena – De Fornovo di Taro à Pontremoli (06/05/2015)

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Fornovo di Taro ao fundo.

O décimo dia de nossa jornada havia chegado e nosso dia acabava de se iniciar. Saímos às 08:30 horas da manhã da cidade com destino à Pontremoli. Já sentíamos a falta do nosso companheiro de aventuras, o Rocky, que nos acompanhou por alguns quilômetros e horas no dia anterior, não importando o tipo de terreno por onde estivéssemos passando. Dado aos fatos, consideramos que o Rocky era um verdadeiro trator canino, pois era destemido e valente, uma vez que se metia por dentro do mato sem expressar medo algum. Além do que acompanhava três pessoas que ele nunca tinha visto. Ele se tornou foco das nossas discussões diárias, realizadas sobre os diversos assuntos, onde discutíamos como forma de passa tempo, visando esquecer as agruras impostas pelo caminho. Vez ou outra dizíamos que se não tivéssemos entregado o Rocky, ele ainda estaria nos seguindo. Mas fizemos o certo. Embora tivesse o espírito aventureiro, ele deveria voltar para o aconchego do seu lar. Neste dia, muitos assuntos seriam necessários para esquecermos o que nos aguardava à frente, o Passo della Cisa.

Fornovo di Taro é uma cidade que ficou conhecida pela batalha da segunda guerra, conhecida como batalha de Fornovo di Taro, onde uma divisão do Exército Alemão se rendeu incondicionalmente ao Exército Brasileiro, ora comandado por Mascarenhas de Morais, então Comandante das tropas. Com a rendição, quase 15 mil alemães e italianos, que combatiam no eixo contrário, se tornaram prisioneiros em campos instalados pelos brasileiros.

Via Francigena - De Fiorenzuola D'arda à Fornovo di Taro (05/05/2015)

Subida bem desgastante.

A partir de Fornovo di Taro, seguimos pela rodovia SR62 – a mesma em que na segunda guerra foi bloqueada por tropas brasileiras no cerco à cidade e aos alemães e italianos que lá combatiam – em direção à Pontremoli, mas o dia não seria fácil. Neste dia, os nossos limites foram testados ao máximo, pois percorremos 26 km montanha acima, saindo de uma elevação de 158 msm., em Fornovo di Taro, para chegar a uma elevação de 1041 msm., no ponto mais alto  do Passo della Cisa, onde finalmente começamos a descer em direção à Pontremoli. Subir não foi nada fácil, em alguns poucos trechos era possível pedalar e na maioria dos outros, apenas empurrávamos as bikes. Talvez o grande vilão da história não fosse aquela subida, mas o peso que carregávamos em nossos alforjes, cerca de vinte quilos ao todo, e isto, sem dúvida, acabava contribuindo negativamente tanto para pedalar, quanto para empurrar as bikes ladeira acima. A subida do Passo della Cisa nos custou quase todo o dia. Quando pensávamos que iria terminar, havia mais subida pela frente. O melhor era baixar cabeça e seguir em frente, pois ficar o tempo todo imaginando que se estava perto de chegar, acabava nos frustrando cada vez mais. Procuramos esquecer aquela parte chata, de empurrar as bikes, e nos focamos em outras coisas, como a bela paisagem da região. Lembro-me que quando Elizabeth, Fagner ou até mesmo eu, começávamos a reclamar daquela situação quase que sem fim, um de nós dizia o seguinte: “Você não sabia que era assim, e porque veio?” A resposta era certa e vinha da seguinte maneira: “Eu não sabia que era assim.

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Macarrão à matriciana.

Depois de muito subir, uma pequena descida apareceu e aliviou o nosso cansaço. Esta boa descida se iniciou antes do vilarejo de Cassio, onde paramos para um rápido e delicioso almoço no Bar Ristorante Pizzeria Da Veronica, situado às margens da rodovia SR62. Quando havíamos chegado ao restaurante, já eram 15:00 horas. Comemos um delicioso macarrão com pancetta, uma espécie de bacon largamente utilizado na culinária italiana. Aproveitamos também para comprar uma quantidade maior de água, uma vez que a que trouxemos desde o começo do dia não foi suficiente e acabamos ficando sem uma gota. Só não foi pior porque Fagner pediu água em uma casa, nas proximidades do vilarejo de Boschi di Barbone.

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Ponto mais alto do Passo della Cisa.

Um pouco antes de Cassio, a subida deu espaço a uma leve descida, mas depois tudo voltou a subir. Passamos por Cavazolla, Castellonchio e Berceto, para finalmente chegar ao Passo della Cisa, às 19:00 horas. A partir do Passo della Cisa, a Emília-Romana cede espaço à Toscana. Paramos um pouco para gravar um vídeo e tirar algumas fotos. Ali, sim, ficamos mais aliviados, pois começávamos a descer. E a descida prometia, pois praticamente tudo o que subimos, iríamos descer, ou seja, havia pelo menos uns trinta quilômetros para baixo. Logo os pneus começariam a cantar, principalmente os da minha bike e os da bike de Fagner. Elizabeth era mais prudente e preferia descer numa velocidade moderada, uns 30 ou 40 km/h, enquanto que as velocidades que eu e Fagner atingíamos chegavam facilmente a 60 km/h. A descida foi muito divertida e emocionante, ainda passamos pelas cidades de Montelungo e Mignegno. Às vezes dava um pouco de medo, mas graças à Deus nada de ruim nos aconteceu durante a descida.

Como para baixo todo santo ajuda, por volta das 20:15 horas chegamos à Pontremoli, porém devido ao horário que chegamos, o albergue e o castelo que acolhiam peregrinos aceitando apenas doações já estavam fechados. Com isso, tivemos que recorrem a outra forma de acomodação. Com a ajuda de moradores locais, encontramos o B&B Francesca & Cleo, situado no centro, considerada a parte mais antiga da cidade. A dona do B&B, a Srta. Francesca, foi muito boa e atenciosa conosco. Ela nos deu uma garrafa de vinho, um pedaço de uma torta típica da cidade, e nos levou de carro para comprar pizzas, mas optamos por comprar uns kebaps. No retorno ao B&B, ela havia nos falado que podíamos subir ao terraço de sua propriedade para que pudéssemos tomar a garrafa do vinho que ela havia nos dado, mas não conseguimos reunir forças para realizar aquele feito, uma vez que estávamos bastante cansados. Encerramos o nosso dia tendo avançado cerca de 62 km, o que nos deixou com motivação e moral elevados.

Confira abaixo os vídeos relacionados a este dia.

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